Retinopatia diabética: como o diabetes afeta os olhos
Postado em: 06/10/2026
Quem convive com o diabetes se acostuma a acompanhar a glicemia, a pressão e os exames de sangue. O olho costuma ficar para depois, principalmente quando a visão parece normal. É aí que mora o risco: a retinopatia diabética pode avançar por anos sem dar nenhum sinal.
Na Clínica de Olhos Santa Branca, em São Paulo, não é raro o paciente descobrir uma alteração na retina num exame de rotina, sem queixa nenhuma.
A seguir, explicamos o que o diabetes faz com o olho, quais exames acompanham o quadro e com que frequência eles costumam ser indicados.
O que é retinopatia diabética?
A retinopatia diabética é uma lesão dos pequenos vasos da retina causada pelo excesso de glicose no sangue ao longo dos anos. Esses vasos ficam frágeis, podem vazar líquido e sangue ou se fechar.
A retina, camada do fundo do olho que capta as imagens e as envia ao cérebro, passa então a funcionar pior. O quadro evolui em fases, e cada uma pede um tipo de acompanhamento:
| Fase | O que acontece na retina | O que a pessoa pode notar |
|---|---|---|
| Não proliferativa | Pequenas dilatações nos vasos (microaneurismas) e pontos de sangramento | Em geral, nada |
| Proliferativa | Surgem vasos novos e frágeis, que podem sangrar dentro do olho | Manchas, pontos escuros ou perda súbita de visão |
| Edema macular | Acúmulo de líquido na mácula, a área central da visão | Visão central borrada ou distorcida |
A retinopatia diabética dá sintomas no começo?
Na maioria das vezes, não. Nas fases iniciais, a retinopatia diabética costuma ser silenciosa: a visão segue boa enquanto pequenas alterações se acumulam nos vasos da retina.
Por isso o exame periódico do fundo de olho vale mais do que esperar um sintoma aparecer, porque quando ele surge a doença já costuma estar mais adiantada.
Quando os sinais aparecem, os mais frequentes são visão embaçada que vai e volta, dificuldade para ler e pontos escuros flutuando no campo de visão.
A glicemia descontrolada também muda o grau dos óculos por alguns dias, efeito diferente da lesão na retina e que explicamos no texto sobre como o diabetes altera a refração.
Quem tem mais risco de desenvolver retinopatia diabética?
O risco de retinopatia diabética cresce principalmente com o tempo de diabetes: quanto mais anos de doença, maior a chance de a retina ser atingida.
Glicemia mal controlada, pressão alta, colesterol elevado, doença renal e gestação em quem já tinha diabetes também aumentam o risco e aceleram a progressão.
O controle faz diferença mensurável. A diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (2026) cita estudo em que cada ponto percentual a menos na hemoglobina glicada de pessoas com diabetes tipo 1 reduziu em cerca de 35% o surgimento e em cerca de 20% a progressão da retinopatia.
É por isso que, na triagem da primeira consulta na Santa Branca, a equipe de enfermagem afere a pressão e a glicemia antes da avaliação médica. São números simples que ajudam a ler o que aparece no fundo de olho.
Quais exames detectam a retinopatia diabética?
O exame de fundo de olho com a pupila dilatada é a base do diagnóstico das lesões que o diabetes provoca na retina. Nele, o oftalmologista examina diretamente a retina, os vasos e o nervo óptico.
Conforme o que encontra, pode complementar a avaliação com exames de imagem, como a tomografia de coerência óptica, que mede o inchaço da mácula.
Na clínica, essa investigação é feita com o mapeamento de retina e, quando há suspeita de edema macular, com o exame de OCT. Pedimos o exame complementar quando ele muda a conduta, não por rotina: você recebe apenas o que realmente precisa.
De quanto em quanto tempo quem tem diabetes deve examinar a retina?
Quem tem diabetes sem retinopatia, ou com retinopatia leve, deve examinar a retina uma vez por ano. Em quadros moderados ou graves, o intervalo encurta e passa a ser definido pelo oftalmologista. O momento do primeiro exame depende do tipo de diabetes e de situações como a gravidez.
As recomendações abaixo seguem a diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes:
| Situação | Primeiro exame da retina | Frequência depois |
|---|---|---|
| Diabetes tipo 2 | No momento do diagnóstico do diabetes | Anual, se a retina estiver normal ou com alteração leve |
| Diabetes tipo 1 em adultos | 5 anos após o diagnóstico | Anual, se a retina estiver normal ou com alteração leve |
| Diabetes tipo 1 em crianças e adolescentes | A partir dos 11 anos, com 2 a 5 anos de doença | Conforme a avaliação |
| Gestante que já tinha diabetes | No início da gestação | A cada trimestre e no primeiro ano após o parto |
O diabetes gestacional, aquele que aparece só durante a gravidez, não exige esse rastreamento da retina segundo a mesma diretriz.
A retinopatia diabética tem cura?
A retinopatia diabética não tem cura no sentido de desfazer todas as lesões já instaladas, e a visão perdida em fases avançadas nem sempre volta.
O que existe de concreto é controle: com glicemia e pressão em ordem e exame regular, a progressão costuma ser freada, e as fases que ameaçam a visão têm tratamento.
Esse tratamento varia conforme a fase e pode envolver laser na retina, injeções de medicamento dentro do olho para o edema macular ou cirurgia nos casos de sangramento persistente. A indicação é sempre individual e depende do que o exame mostra.
Quando procurar o oftalmologista sem esperar a consulta anual?
Quem tem diabetes deve procurar avaliação oftalmológica logo que notar perda súbita de visão, mancha escura fixa, aumento repentino de pontos flutuantes ou linhas retas parecendo tortas.
Esses sinais podem indicar sangramento ou inchaço na retina e não devem aguardar a próxima consulta de rotina.
Também vale agendar sem demora quem tem diabetes há anos e nunca fez exame de retina, mesmo enxergando bem. O texto sobre moscas volantes e quando se preocupar ajuda a diferenciar o ponto flutuante comum daquele que pede atendimento rápido.
Perguntas frequentes sobre retinopatia diabética
Quem tem diabetes bem controlado também precisa fazer o exame?
Sim. O bom controle da glicemia e da pressão reduz bastante o risco, mas não o elimina. Como as lesões na retina podem começar sem sintomas, o exame anual da retina continua sendo a forma de flagrar uma alteração cedo, quando o acompanhamento é mais simples.
O exame de fundo de olho dói?
Não. Para dilatar a pupila, usamos um colírio que pode arder por alguns segundos. Depois, a visão fica embaçada e sensível à luz por algumas horas. Por isso, recomendamos vir acompanhado, trazer óculos escuros e não dirigir logo após o exame.
Óculos novos resolvem a visão embaçada de quem tem diabetes?
Nem sempre. Quando a glicemia oscila, o grau muda temporariamente, e trocar a lente nessa fase pode não adiantar. Já o embaçamento causado por lesão na retina não se corrige com óculos. A consulta identifica qual das duas situações está acontecendo.
Acompanhamento da retinopatia diabética na Clínica de Olhos Santa Branca
A Clínica de Olhos Santa Branca cuida da visão de famílias de São Paulo há 45 anos, com unidades em Santo Amaro, Centro (Boa Vista), Penha, Pinheiros e Osasco, e atende uma ampla rede de convênios. Aqui, cada resultado é explicado com calma, para você entender o que foi visto no seu olho e o que fazer a seguir.
Responsável técnico: Dr. Ricardo Kanecadan, oftalmologista.
CRM 52550/SP · RQE 48475
Se você tem diabetes e não examinou a retina no último ano, agende sua avaliação de retina na unidade mais perto de casa.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta com um oftalmologista.